Se você não é celiaco…Por que você come sem glúten?

Não contas com um diagnóstico médico de doença celíaca, mas decidiu, por sua conta, excluir o glúten da sua dieta. Talvez você não saiba que este é um dos fatores que influenciam no aparecimento de casos de difícil diagnóstico. Amanhã, 5 de maio, comemora-se o Dia Internacional do Celiaco

Foto cedida: Campanha “Pão de cada dia”.

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A Sociedade Espanhola de Patologia Digestiva (AEPD) explica que, em 15% dos casos de doença celíaca são formas atípicas difíceis de detectar chegando a levar entre 2 e 3 anos em receber esse diagnóstico, contra os 2 ou 3 meses de casos típicos.

Por isso, e com motivo do Dia Internacional do Celiaco, a AEPD adverte para a necessidade de eliminar o glúten, sem saber se é celiaco, ou não, “isso é um erro por dois motivos:

  • Pode causar efeitos colaterais no organismo de pessoas saudáveis
  • Pode contribuir para que haja mais casos de difícil diagnóstico

O que sim é celiaco

Quando uma pessoa é diagnosticada com a doença celíaca significa que apresenta intolerância ao glúten, a proteína das farinhas de cereais como trigo, centeio, aveia ou cevada.

Se a pessoa celíaca consome estes cereais sofre uma reação no intestino, que apresentará desconforto.

Assim, as formas típicas de doença celíaca caracterizam-se por sintomas digestivos como diarréia, dor abdominal, inchaço após comer, náuseas e vômitos, astenia, perda de peso…

As formas atípicas podem dar sintomas digestivos como anemia ferropénica crônica, alterações menstruais, abortos de repetição, distúrbios de coagulação e até mesmo distúrbios psiquíatricos, assinala a AEPD em um comunicado.

Condicionante genético

A intolerância ao glúten ocorre em pessoas geneticamente predispostas. Estima-Se que mais de metade da população portuguesa tem esse condicionante genético para ser celiaco, mesmo que apenas uma em cada 200 pessoas desenvolve a intolerância.

“Ainda não se conhece bem o mecanismo pelo qual algumas pessoas com este condicionante genético se tornam celíacas em um determinado momento de sua vida . É como se pulsara um interruptor de luz. O que está claro é que esta doença é universal e tem um tratamento muito eficaz, que é a exclusão completa e definitiva do glúten da dieta”, indica o dr. Francesc Casellas especialista da Sociedade Espanhola de Patologia Digestiva (AEPD) e coordenador da Unidade de Crohn-colite do Hospital Universitário Vall d’Hebron de Barcelona.

Insiste em que os riscos do autodiagnóstico e explica que, além disso, existem outros problemas diversos relacionados com o glúten não celíaca. Este é o caso de:

  • Sensibilidade ao glúten não celíaca: pouco conhecido, mas trata-se de pessoas que sentem desconforto sem ser alérgicas a derivados do trigo.
  • Alergia ao glúten: uma reação imunológica que pode ser mediada por diferentes mecanismos ligados à imunoglobulina IgE ou a células ou também algum outro mecanismo imunológico, segundo a Federação de Associações de Celíacos do Brasil .

“Não se deve fazer uma dieta sem glúten, sem ter ido antes a um especialista do aparelho digestivo que emita um diagnóstico preciso da doença, uma vez que esta vai durar toda a vida e é importante que o diagnóstico seja seguro”, adverte o doutor Francisco Vale.

“Tornou-Se uma moda a remoção indiscriminada da dieta do glúten -acrescenta – o que nos dificulta muito o diagnóstico, porque, então, não podemos avaliar os danos. Até mesmo, em determinadas ocasiões, temos que voltar a introduzir o glúten na dieta para fazer os estudos”.

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