Se você ordenar a sua casa, você pode transformar a sua vida

REUTERS/Stefan Sauer

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Mas o que esconde a ordem? Pois segundo a escritorajaponesa Marie Kondo , desprender-se de tudo o que não quiser ou utilizar o “faz você se sentir mais seguro, cheio de sucesso, mais motivado e com confiança suficiente para encarar outros desafios”.

Em seu livro “A magia da ordem” (Aguilar) – três milhões de exemplares vendidos – esta é a especialista em organização, que ganha a vida Adivinenlo! colocando ordem em casas alheias, também explica que o processo para selecionar nossos pertences, pode ser muito doloroso “, porque nos força a enfrentar nossas imperfeições e deficiências…”

Marie Kondo é a favor de manter apenas as coisas que te inspirem alegria, sem seguir um padrão racional, que te leva para salvar algo, se precisar no futuro, e acrescenta que à medida que se reduz suas posses se chega a um ponto em você se dá conta de quais são as realmente necessárias para ser feliz.

EFEsalud falou com Encarna Moreno, uma jornalista espanhola que aplicou as regras dessa japonesa em sua casa e que assegura sentiu-se aliviado e, além disso, depois desta “façanha” tirou os cinco quilos de peso, que lhe vinham sobrando muito tempo. Também falamos do tema com a psicóloga Julia Vidal, para quem ordenar e puxar coisas efetivamente propicia um sentimento de bem-estar e alívio.

Na opinião de Julia Vidal a todos em geral custa-nos desvincular de coisas que, objetivamente, sabemos que não nos servem, que não vamos usar, não vamos nos colocar e em muitas ou na maioria das vezes, nos leva a um problema de espaço. Além disso, cada vez que vemos esses objetos nos inquieta porque não estamos dando-lhe uso.

A força de ser capaz

“Mas quando a pessoa decide que não precisa, e dá o passo de jogá-lo e o puxa, e nos convencemos de que nada vai mudar, que tudo estará não apenas bem, mas melhor, podem aparecer muitas emoções agradáveis, por diversos motivos:

  • Aparece um sentimento de “ser capaz”… conseguimos lançá-lo¡¡. Algo que achamos que não podíamos, nós descobrimos que sim. Sentimos controle
  • Temos ordenado coisas, o que nos gera bem-estar e alívio
  • Damos um significado positivo, o que interpretamos como um ato de renovação, de crescimento. Os psicólogos sabemos -diz Vidal – que não é o fato, mas a interpretação que damos do mesmo, o que gera sensações. E é muito bom pensar que fazemos para renovar, crescer, avançar, ao se desvincular
  • Em muitos casos, é um exercício simbólico, que representa fechar negócios e nos ajuda a fechá-los. Por exemplo, puxar o anel –além de já velho – que nos deu o nosso ex
  • Muitas pessoas não se favorece deixar de olhar para o passado para se concentrar no presente e projectar-se para a frente
  • Começamos a ver as vantagens deste alívio de espaço físico e mental, e isso resulta em satisfação. Gostava de ver a ordem, de saber que haverá “conflitos” e dilemas entre jogá-lo ou não jogá-lo, coisa que nos aconteceu ao longo do ano, em mais de uma ocasião
  • E ficamos “em paz”, pois nossa mente gera para isso e para que não surja o arrependimento, argumentos que nos convencem de que fizemos o certo

Sobre a dor que eu podia implicar a atirar coisas, a psicóloga considera “normal que surjam dificuldades para se desvincular delas, já que nos mudando para um momento importante, de objetos, com um significado especial, que geram emoções positivas”.

“E claro que nos podemos resistir e se o forçamos, pode ser desconfortável ou doloroso. Mas não chamaria isso de imperfeições e deficiências. Isto serve-nos também para sentir emoções pouco agradáveis e aceitá-las como parte de nossa vida, nada acontece por estar desconfortável. Mas também essas emoções nos podem estar dizendo algo, e talvez esses objetos acreditamos que são os que nos levam, em algum momento, a essa vivência que não queremos esquecer, e você tem que aprender a dar-lhes um significado diferente, essas vivências estão em nós, já nos pertencem, mesmo que não tenhamos esse objeto”, explica Julia.

Mudar por fora, troque por dentro

Finalmente, considera esta especialista que as mudanças externas nos ajudam a mobilizar mudanças internas, e é verdade que pode ser mais fácil nesta direção.

“Em psicologia o sabemos e vemos no dia a dia da consulta. Por exemplo, se queremos perder o medo de um cão, ele nós estimamos e, com esse acto, vamos mudando as crenças de perigo nos cães e nos habituamos ao medo; este se reduz e aparecem emoções agradáveis. Assim, se jogamos coisas vamos mudando também as crenças de necessidade de esses objetos, fechamos capítulos, enfrentamos essa emoção não agradável que irá diminuindo e vai dando lugar a outras renovados”.

EFE/Ana Soteras

Ordenar e emagrecimento

No caso específico de nossa publicitário Encarna Moreno, a quem recomendaram o livro, que comprei em férias e leu-o com um empurrão, enquanto estava no avião, a obra de Marie Kondo, serviu-lhe para puxar 12 sacos de coisas, principalmente roupas, e de passagem, sentir-se “mais liberada, e a casa e eu, mais leve”.

Tirar fotos e livros lhe trouxe mais trabalho. Considera também que existe uma diferença cultural a este respeito entre o Ocidente e o Oriente, região do mundo, esta última onde há menos apego aos objetos.

Ao término de sua particular zafarrancho de limpeza sentiu-se com forças para empreender um papel que vinha sendo adiado, o de emagrecer cinco quilos a mais que arrastava desde há muito tempo..

A especialista japonesa explica em seu livro que, embora nós podemos chegar a conhecer-nos melhor se nós nos sentamos e analisamos as nossas características ou ouvimos as perspectivas de outros sobre nós, a melhor maneira é a organização:

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