Sem vacina preventiva, dentro de 30 anos, haverá ainda muito aids

O pesquisador José Maria Gatell, destacado especialista em sida a nível internacional, acredita que com as atuais estratégias de prevenção pode chegar a reduzir a epidemia em um processo “muito lento”, mas se você não se introduz uma vacina preventiva, “nos próximos 30 ou 40 anos, continuaremos a ter muito aids no mundo”

O pesquisador e chefe de Doenças Infecciosas do Hospital Clinic de Barcelona, Josep Maria Gatell, um dos mais destacados especialistas em aids. EFE/Alejandro García

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

O chefe de Doenças Infecciosas e AIDS do Hospital Clínic de Barcelona e professor de Medicina na Universidade da cidade catalã, tem estudado o sida desde há quase trinta anos. É membro do Grupo de Estudo da Sida (GESIDA); coordenador da Rede Espanhola de Pesquisa em AIDS e integrante da Rede Europeia de Tratamento do vih / SIDA e EuroSIDA/EUROCORD.

No Dia Mundial de Luta contra a Aids, Gatell fala com EFEsalud quando se verificam 32 anos da ocorrência do primeiro caso de aids em todo o mundo.

  • Como especialista…Prevê um futuro em que a aids deixe de ser uma doença crônica e se pode curar?

Em uma pessoa que está infectada será muito difícil chegar a erradicar o vírus, embora se está investigando. Mas… como uma pessoa que está infectada poderemos chegar a controlá-la, sem a necessidade de tratamento anti-retroviral? Pois esse é o objetivo das vacinas terapêuticas… Talvez sim ou talvez não, mas há dados que permitem ter um certo grau de otimismo.

  • E um futuro em que se chegue a erradicar o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e, portanto, a epidemia?

Se fazemos funcionar, as estratégias de prevenção que temos agora podemos avançar no sentido de minimizar a epidemia ou reduzi-la, mas será um processo muito lento. Se este processo não se introduz uma vacina preventiva, com as estratégias de prevenção que temos atualmente, nos próximos 30-40 anos continuaremos a ter muito aids no mundo.

  • Você Está perto da vacina preventiva? Como vão as investigações?

Está mais atrasada que as vacinas terapêuticas. Foram ensaiado 5 ou 6 estratégias, como mínimo, de vacinas preventivas e apenas uma (cujos resultados foram publicados em 2009) funcionava de forma parcial, com uma eficiência de 30% e isso é mais um problema do que uma solução, porque não sabe o que fazer com ela. A conclusão foi de que, conceitualmente, uma vacina preventiva pode ser possível, mas há que aperfeiçoar muito os hipotéticos candidatos, porque você tem que ir além de 30%. É uma prioridade na investigação, está dedicando muitos recursos.

  • Até que ponto são eficazes as atuais estratégias de prevenção?

É verdade que agora temos muitas estratégias preventivas contra o HIV e o fato de não ter uma vacina preventiva não quer dizer que não se possa fazer nada contra a sua propagação. Nos últimos 2 ou 3 anos, a nível mundial, continua a haver muitas infecções, mas a taxa de novas infecções a cada ano estão descendo 10-15% e isso quer dizer que se aplicam as estratégias preventivas e que funcionam de forma parcial.

Se, uma das estratégias que mais estão funcionando, é o diagnóstico do maior número de pessoas possível e tratá-lo o mais rápido possível . Uma pessoa já infectada, que recebe tratamento anti-retroviral é muito difícil de transmitir o vírus.

Quanto mais pessoas diagnostiquemos e antes tratemos, menor probabilidade haverá de que transmitam o vírus. E isto, combinado com a utilização do preservativo, pouco a pouco vai dando resultado.

  • Precisamente uma percentagem importante não sabe que está infectado…

Dados de toda a Europa e de Portugal confirmam que 1 de cada 3 pessoas infectadas não sabem que está. Isso significa que essa pessoa não sabe é-lhe diagnosticado mais tarde, por isso terá mais problemas, e durante este período, pode transmitir a infecção a outras pessoas.

Os países que tentaram adotar essa estratégia (estados unidos).EUA, França,…), não conseguiram fazê-lo funcionar bem. No Brasil tenta-se uma solução intermediária, que trata de avançar no diagnóstico precoce: o médico, a mínima suspeita de que o paciente possa estar infectado pelo HIV, que lhe recomende a prova. Há que educar, acima de tudo, o pessoal médico para que incentive o paciente a fazer o teste quando tiver suspeitas.

As vacinas terapêuticas funcionam bem, mas não são poderosas o suficiente para prescindir do tratamento anti-retroviral. A finalidade última de essas vacinas seria poder fazer sem este tratamento ao cabo de 2 ou 3 anos e depois retirá-lo sem que o vírus rebrotara. Isso não se conseguiu ainda com vacinas terapêuticas porque o vírus rebrota sempre, embora a um nível inferior.

A vacina que apresentamos em janeiro tem a característica de que controla parcialmente o crescimento do vírus, o controle durante muitos meses, mas não permite prescindir do tratamento retroviral e, portanto, não é suficiente.

Como temos trabalhado neste campo de vacinas terapêuticas se poderia pensar que, se administrado em pacientes com uma infecção muito recente isso será melhor do que os que levam muitos anos.

  • O que outros projectos de investigação destacaria?

Desde o HIVACAT (programa catalão para o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV) coordenar um projecto europeu para o desenvolvimento de outro tipo de vacina terapêutica que consiste em gerenciar um imunológico, mas que, em vez de fazê-lo por via subcutânea, se faz por via intranodal (no interior dos gânglios linfáticos), já que é possível que ele tenha mais potência.

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