Sete de cada dez pessoas viciadas além sofrem de algum transtorno mental

Sete de cada dez pessoas viciadas, seja de drogas, jogo, sexo ou compras, sofre, além disso, algum tipo de transtorno mental, segundo explicou o presidente da Sociedade Espanhola de Patologia Dual (AEPD), Nestor Szerman, no início de um Congresso Internacional sobre este problema de saúde

(De izq. a drcha.) O dr. Szerman, o professor Casas e o doutor Roncero na abertura do Congresso de Patologia Dual/Foto fornecida pelos organizadores do Congresso

Szerman foi apresentado junto ao Chefe de Serviço de Psiquiatria do Hospital Vall d’Hebron, Miguel Casas, e o presidente do Comitê organizador do IV Congresso Internacional de Patologia Dual, Carlos Roncero, este evento que se realiza este fim-de-semana em Barcelona.

Os palestrantes ensinaram a subavaliação de patologia dual-combinação de um transtorno clássico com um vício, apesar de que a sua incidência está a crescer, e que se deve ter em conta uma patologia dual em qualquer paciente que apresente vício ou transtorno mental.

A porta errada

Nestor Szerman explicou que a maioria dos pacientes sofrem de uma dissociação e “não sabem se têm que ser tratados por vício ou por seu transtorno mental”, realizando-se o síndrome da “porta errada”.

Segundo um estudo da AEPD, mais de 70% dos profissionais consultados não conheciam as possibilidades com as que tiveram em sua comunidade autônoma, um fato que, unido ao inexistente registro das unidades de tratamento e as diferenças de acordo território dificulta o seu tratamento.

Por isso Roncero, destacou a “especial complexidade dos pacientes devido à sua dualidade” e explicou que, entre as atividades do Congresso encontra-se um fórum com famílias e pacientes para debater sobre os tratamentos e patologias.

De acordo com Szerman, “um em cada dois cigarros comprados na rua é adquirido por um doente mental”; também garantiu que “os doentes com patologia psíquica são mais vulneráveis a desenvolver dependência a uma substância”.

Uma afirmação que se vê nos dados, já que, segundo o presidente da AEPD, 90% das pessoas com patologia psicótica são viciadas em nicotina, enquanto apenas 26% da população geral.

“Mais de 55% dos adultos que consomem substâncias de forma abusiva apresentará um diagnóstico psiquiátrico nos 15 anos subsequentes”, explicou Szerman.

 

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Datando dos anos 80

Para Miguel Casas, o ponto de inflexão se deu na década de oitenta, quando da abertura dos centros psiquiátricos, graças à medicação, os pacientes saíram para a rua e entraram em contato com substâncias que estavam proibidas nos centros.

A melhoria, a curto prazo, graças às substâncias e a tendência à automedicação é o fato determinante que leva os pacientes a consumir, de acordo com o especialista, mesmo “pagando um pedágio,” a longo prazo e com a deterioração das relações sociais.

Casas sublinhou que “não é a substância, mas a vulnerabilidade do indivíduo ao vício” que faz com que uma pessoa se torne viciada.

“As drogas estão muito ligadas também ao vício e à falta de vontade, por isso se associa a doença à falta de vontade”, acrescentou.

E recordou a luta tanto da psiquiatria como da psicologia contra a estigmatização dos doentes.

Miguel Casas explicou que “os dados de drogas que temos não são só causados por fatores sociais” e que as substâncias mais consumidas são o álcool, o tabaco, a maconha e a cocaína, seguidas de calmantes e remédios para dormir.

Carlos Roncero explicou que o Congresso contará com a presença de mais de 2000 profissionais de 70 países diferentes, principalmente da Europa, EUA e américa Latina e que é organizado pela AEPD, organização pioneira na investigação da patologia dual.

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