Sete perspectivas para o câncer de mama metastático

O câncer de mama afeta cada ano a mais de 27.000 pessoas em Portugal. Prevê-Se que uma em cada oito mulheres desenvolve esta doença ao longo de sua vida. 28% dos cancros que são diagnosticados a cada ano em mulheres são de mama. Um seminário na Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP) apresentou sete perspectivas integradas sobre este tumor, com uma visão completa do conjunto

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O câncer de mama metastático não é apenas um problema de saúde, mas também socio-sanitário. Embora o prognóstico tem melhorado significativamente ao longo dos anos, ainda continua a ser a primeira causa de morte por câncer em mulheres no Brasil.

Esta patologia causa a cada ano 6.000 mortes, e em 90% dos casos ocorrem em fase objetivo do estudo. Entre 5% e 6% dos pacientes com esta patologia apresentam metástases no momento do diagnóstico; 30% dos diagnósticos em estádio precoce evoluem para câncer de mama metastático.

Por este motivo, é fundamental analisar o tratamento do câncer de mama metastático ou em estado avançado. Sua abordagem multidisciplinar é fundamental para uma doença que apresenta frentes em que têm de intervir diferentes profissionais de saúde.

Esta foi a ideia motor do curso “Rumo a excelência no câncer de mama avançado: uma visão multidisciplinar”, organizada em Londrina por Novartis Oncology e a Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP), onde têm confluído sete diferentes pontos de vista sobre esta patologia, a partir de uma ótica institucional e de gestão até um olhar clínica ou farmacológica, concluindo com a visão do paciente.

Perspectiva a partir de uma Secretaria de Saúde

A doutora e coordenadora do Escritório Regional de Cooperação Oncológica da Comunidade de Madrid, Cristina Gravalos, contribuiu com uma visão prática a partir do foco da Administração. “O câncer de mama é um problema gravíssimo, porque para seu atendimento, diagnóstico e tratamento requer o uso de muitos recursos“, afirmou.

Isso se deve à elevada incidência do câncer de mama. Não obstante, as perspectivas são inspiradas dado que a sobrevivência aumentou consideravelmente desde os anos 90. “Em 2007, a sobrevivência ao câncer de mama após um ano era de 95%, descendo ao 82,8% aos cinco anos. E os dados atuais são ainda melhores”, reconhece a doutora.

O principal responsável por este aumento da sobrevivência é o diagnóstico precoce, graças aos programas de rastreio da população normal e população de alto risco, “mulheres que são portadoras de certas mutações em genes que necessitam de um seguimento diferente”.

Visão a partir de um Serviço de Saúde

A subdiretora-geral dos Cuidados de Saúde do Serviço Cantábrica de Saúde, Ana Tejerina, colocou o foco na importância da equidade e da igualdade de acesso de todos os doentes aos cuidados de saúde, destacando-se a desigualdade existente no acesso aos medicamentos. “Bruxelas alerta para as desigualdades em saúde entre os estados e, em Portugal, ocorre também entre comunidades autônomas”, disse.

Também observou que a sustentabilidade do sistema é outra das dificuldades presentes, não só para o financiamento de medicamentos, mas também para a renovação tecnológica e a contratação de pessoal.

Também enfatizou a importância da multidisciplinaridade: “O trabalho em rede é o que permite trabalhar de forma mais rápida na equidade e eficiência para que todos os pacientes recebam o melhor tratamento possível”, destacou.

Perspectiva humanística

A importância da humanização da expôs Rodrigo Gutiérrez, diretor geral de Qualidade e Humanização de Cuidados de Saúde do Serviço de Saúde de Castilla-La Mancha (SESCAM), que assinalou o indispensável desta perspectiva em tumores metastáticos ou com mau prognóstico.

“Para os pacientes, o valor a atenção, não só é dado pelos resultados, mas também pela forma em que são tratados como pessoas, no trato pessoal e íntimo”, enfatizou.

O conceito de ética e de humanização implica contemplar a pessoa em sua totalidade e ter em conta os fatores emocionais, culturais e sociais, além de garantir o seu conforto físico ou a correta atenção aos familiares e prestadores de cuidados de saúde. “Esta ideia está subjacente a compaixão, a empatia, a dignidade, a autonomia, a integração, a independência ou a confiança”, acrescentou.

Visão médica

O chefe do serviço de Oncologia do Complexo Hospitalar Universitário de Santiago de Compostela, Rafael López, destacou o conhecimento desta doença, como um dos principais avanços científicos: “O câncer de mama não é igual em todas as mulheres. Hoje falamos de quatro grupos na clínica diária, mas existem muitos mais os que temos que aprofundar”.

Este especialista expôs os principais progressos na luta contra o câncer de mama metastático e suas vias de tratamento, e destacou que o câncer de mama é um exemplo de progressão da oncologia: “passou de zero a 90% de cura, mas esta inovação deve ser acompanhada de novas formas de gestão que permitam que o sistema seja sustentável”.

Prisma farmacêutico

Beatriz Bernárdez, voluntária do serviço de farmácia do Complexo Hospitalar Universitário de Santiago de Compostela, ressaltou o problema da falta de adesão ao tratamento ligada aos avanços farmacológicos, que permitem que muitos fármacos administrados por via oral em domicílio. “Estudos mostram que a falta de aderência em estágios precoces da doença implica piores resultados na saúde e um aumento da mortalidade”, alertou.

Isso pode ser motivado por esquecimento ou por incompatibilidade de horário das tomadas com os hábitos de vida, mas é também influenciada por fatores como o nível cultural, idade, qualidade de vida, a satisfação com o tratamento e com a equipe de saúde e a independência do paciente. “Se você se sente mais livre adesão é melhor do que se considera uma carga”, acrescentou.

Também assinalou o risco de não comunicar as terapias alternativas que muitos pacientes levam a cabo juntamente com o tratamento prescrito pelo médico. A farmacêutica explica que nem todas são prejudiciais, mas que se deseja realizar “, é necessário que um profissional verifique que não interagem com o tratamento pautado”.

Visão da enfermagem

O secretário de atas da Sociedade Portuguesa de Enfermagem Oncológica, João Luis Ribes, destacou a função do serviço no tratamento diário com o doente. “Enfermagem é a referência para o paciente , pois é o profissional que está em contato mais direto com ele”, disse.

Isso faz com que o enfermeiro possa detectar, antes que outros profissionais, problemas no paciente com câncer de mama metastático, como a falta de adesão ao tratamento.

Além disso, costuma ser a primeira pessoa que o doente conta seus problemas, medos, preocupações e necessidades, o que, muitas vezes, serve de intermediário entre este e os diferentes profissionais de saúde.

Além disso, o enfermeiro destacou algo que considera fundamental em seu trabalho: “a Nossa vantagem é que sempre podemos cuidar embora não possamos curar”. Daí a importância deste serviço para a prevenção, a atenção aos sintomas e a preocupação com o conforto do paciente.

Perspectiva do paciente

Laura Pérez, membro da Diretoria da Associação para a Ajuda às Mulheres com Câncer de Mama (AMUCCAM) de Cantábria e colaboradora ativa da Federação Espanhola de Câncer de Mama (FECMA), afirmou que, quanto ao atendimento no sistema de saúde, os pacientes valorizam especialmente a redução das listas de espera e o acesso igualitário aos recursos para reduzir as desigualdades.

“No câncer de mama é um problema de saúde de primeira ordem, pelo que se impõe a criação de equipes multidisciplinares em hospitais, e para isso é preciso investimento e recursos orçamentais”, disse, ao tempo em que ressaltou a importância do desenvolvimento de uma medicina avançada cientificamente com uma visão humanística.

Além disso, considerou que, embora tenha avançado muito em humanização, ainda temos um caminho a percorrer na relação médico-paciente.

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