Sexo após o infarto

Depois de sofrer um ataque cardíaco, a pessoa pode retomar uma vida sexual semelhante à que tinha antes, sempre que o seu estado é estável. Os medos e as dúvidas são os principais obstáculos, mas se dissipam falando com o médico e o casal

EPA/ANGELIKA WARMUTH

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Posso morrer durante o ato sexual, depois de ter sofrido um ataque cardíaco? Este é, de forma bruta e crua, o principal pergunta que se colocam aqueles que sofreram um infarto do miocárdio e se dispõem a retomar a sua vida de casal. Depois do susto sobrevive o medo.

“Depois de sofrer um enfarte do miocárdio o paciente cardíaco reafirma todos os afazeres cotidianos e suas possíveis sequelas, entre eles algumas dúvidas e receios sobre a sua vida sexual”, explica o doutor Javier André, são paulo, coordenador de Cardiologia dos hospitais verão de San Eloy em Lisboa e São João de Deus, em Moscou.

“Para encontrar soluções positivas é necessário despojar-se de todos os tabus e a vergonha que se possa experimentar o que consulte estes tópicos com o médico ou o psicólogo”, aconselha o cardiologista.

Desde a Fundação Espanhola do Coração ( FEC) lembram que, em um estudo de referência sobre 5.559 casos de morte súbita por causas não traumáticas, apenas 34 deles ocorreram durante o coito por insuficiência cardíaca.

Para o doutor são paulo, “os medos e ansiedades que surgem com mais freqüência em relação à vida sexual se referem ao esforço físico que exige essa atividade, já que o paciente costuma ter medo de que o intercurso sexual constituam um risco importante para o seu coração”.

Como subir as escadas…

No entanto, durante o ato sexual, “os gastos energéticos são semelhantes aos que gera subir dois andares de escada, a frequência cardíaca é inferior à que ocorre durante outras atividades normais da vida cotidiana, e o esforço físico que se exige poderia ser considerado moderado, o que, em princípio, não traria nenhuma complicação”, indica o doutor são paulo.

O especialista recomenda retomar as relações sexuais “após um treino físico e psicológico adequado e progressivo, graças ao qual se aprende a detectar quais são as respostas físicas do corpo, depois de um esforço. Em linhas gerais, podem retomar as duas semanas da alta hospitalar, consultando sempre com o médico”.

Segundo este especialista, “a partir de um ponto de vista psicológico, o treinamento permite ao paciente a reconhecer quais são as suas relações emocionais prejudiciais e como geri-los através de métodos de respiração e relaxamento”.

Outras questões susceptíveis de ser tratada por um psicólogo, de acordo com são paulo, são os sintomas de depressão, que podem provocar os estados de impotência e de frigidez, motivados pelo tratamento farmacológico, ou descompensação psicológica causada por uma doença cardíaca.

Além disso, se existe um medo do sexo, além de com o psicólogo, “você tem que falar com sinceridade com a própria companheiro sobre esses medos e preocupações”, diz são paulo.

De acordo com este especialista, o mais provável é que não surjam problemas durante o ato sexual, após um infarto, se bem que há casos em que, ocasionalmente, pode aparecer uma angina que pode provocar ansiedade. Se isso chegasse a acontecer, é imprescindível informar o médico para o seu controle.

Normalmente, depois de um infarto, um “by-pass” ou uma angioplastia, “o médico e o paciente passa por um teste de esforço, vulgarmente conhecido como “a fita”. Se a pessoa pode caminhar e subir a encosta durante mais de seis minutos, também está capacitada para voltar a praticar sexo sem problemas, já que as necessidades do coração durante a relação sexual são menores que o esforço realizado nesta prova”, segundo o médico são paulo.

Manter relações sexuais, não só não representa um risco maior para a saúde dos pacientes que sofreram de doenças cardíacas ou que sofrem de uma doença cardiovascular, desde que o seu estado é estável, mas que, além disso, é recomendável, uma vez que a sua ausência acarreta consequências negativas, já que costuma se relacionar com a ansiedade e a depressão, segundo especialistas da Sociedade Americana do Coração (American Heart Association-AHA), dos Estados Unidos.

Quando retomar a intimidade?

De acordo com o doutor Glenn Levine, pesquisador do Baylor College of Medicine de Houston (EUA) e membro da AHA, “a atividade sexual traz uma maior qualidade de vida para pessoas que sofrem de alguma doença cardiovascular e também a seus pares”.

“Alguns pacientes com este tipo de doenças tendem a adiar suas relações sexuais, apesar de que é relativamente seguro para eles”, reconhece Levine, que explica que a probabilidade de sofrer de dores no peito ou ataques cardíacos, é reduzida no período que dura um encontro erótico.

Embora o doutor Levine reconhece que “para alguns pacientes, como os que sofrem de uma doença cardíaca severa, e apresenta sintomas, até mesmo em repouso, pode ser razoável adiar a sua actividade sexual até que tenham sido devidamente avaliados e estabilizados por seus médicos”.

O exercício físico regular e a reabilitação podem reduzir o risco de complicações cardiovasculares em quem tem sofrido um ataque cardíaco ou insuficiência cardíaca, acrescenta a AHA.

“A maioria dos pacientes que sofreram um infarto agudo do miocárdio, devem recuperar os 15 ou 30 dias, uma actividade sexual semelhante à que mantinham antes do episódio cardiovascular”, segundo o doutor José Maria Silva, diretor de Unidade de Reabilitação Cardíaca ECOPLAR Mirasierra.

Para o cardiologista, autor do livro ‘Coração e infarto 101 perguntas essenciais para os doentes e suas famílias’, “sexo depois de uma doença, é recomendado para o coração, tanto pelo exercício realizado, como pelo seu efeito para a recuperação da auto-estima e a vida normal”.

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