Simpósio sobre nutrição em Buenos Aires é sobre adoçantes

Profissionais de saúde e especialistas em nutrição, reunidos em Buenos Aires coincidiram em afirmar que o consumo de adoçantes de baixas ou sem calorias é seguro e tem benefícios substituto do açúcar

Imagem geral do simpósio/Foto fornecidas pelos organizadores

Segunda-feira 03.09.2018

Terça-feira 28.08.2018

Segunda-feira 20.08.2018

Com um consumo crescente em todo o planeta, os adoçantes de baixas ou sem calorias foram o eixo de um simpósio organizado pela Fundação para a Investigação Nutricional e a Fundação Espanhola de Nutrição, no âmbito do Congresso Internacional de Nutrição, que termina nesta sexta-feira, com a assistência de 3.200 especialistas de todo o mundo.

No simpósio, o espanhol Lluis Serra-Majem, presidente da Fundação para a Investigação Nutricional e da Academia Espanhola de Nutrição e Ciências da Alimentação, observou que, embora os adoçantes consumidos desde há um século, a sua utilização é crescente desde há algumas décadas, como resposta à obesidade, um dos mais graves problemas para a saúde pública.

Assim, afirmou Serra-Majem, professor de Medicina Preventiva e Saúde Pública e diretor do Instituto de Pesquisas Biomédicas e de Saúde pública da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, os adoçantes estão presentes em muitos alimentos e bebidas e até mesmo em produtos farmacêuticos.

Em diálogo com a Efe, o especialista apontou que cerca de adoçantes “há muitos mitos sobre os supostos efeitos indesejáveis”, mas “as pessoas estão confiando cada vez mais estes produtos, porque, se não são nenhuma panaceia, porque não o serão nunca, sabem o que lhes pode ajudar a satisfazer a sua necessidade de doce, sem lhes calorias”.

No simpósio, Serra-Majem enfatizou a segurança desses produtos, pois o seu desenvolvimento só é aprovado após serem submetidos a “testes rigorosos”.

Com ele correspondeu Anne Raben, do departamento de Nutrição, Exercício e Desporto da Faculdade de Ciências da Universidade de Copenhague (Dinamarca), que afirmou que “a segurança está totalmente garantida”.
“Todos estes produtos são testados cuidadosamente antes de serem lançados no mercado”, enfatizou Raben em diálogo com a Efe.

A especialista apresentou no simpósio diversos estudos científicos sobre a relação entre o consumo de adoçantes de baixas ou sem calorias e alterações no peso corporal.

Neste sentido, apontou que estas investigações concluíram de forma bastante unânime que o uso de adoçantes de baixas ou sem calorias pode contribuir para reduzir o peso corporal em comparação com o açúcar”.

A evidência científica, disse Raben, em são Paulo, indica que há “benefícios relacionados com a perda de peso e o controle de diabetes e de doenças cardiovasculares”.

É claro que não se trata apenas de tomar um café com sacarina depois de comer um bolo, mas de ter uma dieta adequada, acompanhada de atividade física e do controle de um profissional, de acordo com os especialistas concordaram.

“Nós não podemos usar estes produtos para ter mais liberdade para consumir mais açúcar em outros alimentos. Devemos assumir um compromisso de ajustar a nossa energia a um menor consumo de açúcar. Consumindo menos açúcar e compensando com adoçantes teremos um menor risco de obesidade, de diabetes e de outras doenças”, disse Serra-Majem.

A Organização Mundial da Saúde recomenda reduzir as calorias provenientes de açúcares adicionados a menos de 10% e até 5% a longo prazo.

“Há duas formas de fazer isso: reduzir o teor de açúcar ou tratar de substituí-lo e uma forma de substituição é usar adoçantes sem calorias”, disse no simpósio Hugo Laviada, coordenador do grupo de trabalho em Obesidade da Sociedade brasileira de Nutrição e Endocrinologia e pesquisador da Universidade Marista de Mérida.

O encontro foi presidido por Carmen Pérez-Rodrigo, titular da Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária, e Gregório Varela-Moreiras, presidente da Fundação Espanhola de Nutrição.

Serra-Majem ressaltou à Efe a importância de eventos como este para “reunir toda a informação atualizada, de uma forma clara, independente e precisa, para transmiti-la aos profissionais que, em seguida, se encarregarão de repassá-la aos consumidores”.

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